Pesquisas realizadas em primatas mostraram que a memória é armazenada, principalmente, no neocórtex, isto é, na região cerebral mais recente do ponto de vista evolutivo e que os diversos tipos de memória são formados por redes de nerônios do neocórtex: a região posterior do córtex cerebral e a região frontal são essenciais para a memória. (FUSTER, 2005, p. 27)
Rosângela
Conclusão Parciais.
Os neurônios são células especializadas que localizam-se no cérebro, cuja principal função é comunicar-se com outros neurônios e com os órgãos que realizam as ações (como os músculos e o coração); em conseqüência do processamento de uma fantástica quantidade de informações, a atividade integrada dos neurônios determina e modula o comportamento dos indivíduos. A capacidade dos neurônios de se transformar e de adaptar sua estrutura em resposta às exigências ambientais (externas) ou internas é chamada de plasticidade neural. Foi no início do século passado que o anatomista Ramón y Cajal formulou a hipótese de que a eficácia das conexões sinápticas (áreas de contato funcional entre os neurônios) não é fixa, porém plástica e modificável. Ele postulou que a força sináptica pode ser modificada pela atividade neural e sugeriu que o aprendizado poderia utilizar essa plasticidade através do desenvolvimento de novos processos sinápticos. Muitos estudos apóiam esta hipótese.
Outra abordagem experimental bastante útil para o estudo da biologia da memória é a farmacologia comportamental, que busca decifrar como os sistemas neurais participam na sua modulação. A infusão de substâncias com determinadas ações, em regiões específicas do cérebro, têm revelado as estruturas cerebrais envolvidas nos diferentes tipos de memória, assim como os sistemas de neurotransmissores (moléculas especiais responsáveis pela comunicação entre os neurônios) envolvidos na consolidação da memória.
Um tema acerca do qual se sabe muito pouco é o da localização das memórias. São elas localizadas numa região específica ou distribuídas pelo encéfalo? O psicólogo Donald Hebb propôs um armazenamento distribuído para a memória. Há evidências de que não existe uma região única para a memória e que muitas partes do encéfalo participam da representação de um evento singular. Isto não significa que todas as regiões sejam igualmente envolvidas no armazenamento da informação: diferentes áreas armazenam diferentes aspectos das memórias. Estudos de lesão, em humanos e em animais de laboratório, e as novas técnicas de imageamento funcional têm estabelecido, por exemplo, que as regiões do córtex cerebral que estão envolvidas na percepção e no processamento da cor, da forma e do tamanho dos objetos estão próximas, se não forem idênticas, às regiões importantes para a memória de objetos. Acredita-se que o engrama de uma memória declarativa esteja distribuído entre diferentes regiões encefálicas, e que estas regiões são aquelas especializadas para determinados tipos de percepção e processamento da informação.
Referências:
Izquierdo, I. Memória. Porto Alegre, ARTMED Editora S.A. 2002.
MCGauch, J.L. "Memory consolidation and the amygdala: a systems perspective". Trends Neurosci; 25(9): 456. 2002
Squire, L. R. e Kandel, E.R. Memória: da mente às moléculas. Porto Alegre, ARTMED Editora S.A. 2003.
Márcio.
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